[Conteúdo] Artistas bolcheviques

Aleksandr Rodchenko. Capa do livro de Sergei Tret'iakov, 1929.

O espírito da Revolução Russa repercutiu em diversas manifestações culturais – artes plásticas, teatro, cinema, fotografia, literatura e música – que acabaram por se reinventar depois de 1917.

Apresentamos alguns dos artistas que pensavam a sua arte como uma forma de resposta ao surgimento de um novo modelo de sociedade. 

Aleksandr Rodchenko (Александр Родченко, 1891 – 1956) 

Foi um dos artistas mais inovadores e dedicados do construtivismo russo, o estilo artístico pós-Revolução aprovado pelo estado, que incentivava a aplicação de desenhos abstratos padronizados a objetos utilitários. Esse estilo contrasta diretamente com a arte tradicional que dava ênfase à expressão individual.

Rodchenko e artistas com ideias afins trabalharam em uma ampla variedade de materiais, incluindo têxteis, cerâmica, posters, móveis, arquitetura e design de exposições. O foco de Rodchenko era em design gráfico, fotografia e fotomontagem – um meio que combina e justapõe fragmentos fotográficos.

Seus projetos de livros variaram de colaborações com amigos poetas a revistas de propaganda destinadas à distribuição em massa. Entre suas colaborações mais frutíferas, estava a do poeta Vladimir Mayakovsky, que também adotou o objetivo de Rodchenko de alcançar o proletariado soviético e não a elite artística. Juntos, eles produziram cartazes publicitários do governo, livros e várias revistas. Um desses projetos, Pro eto. Ei i mne (Sobre isso. Pra ela e pra mim), apresentou as primeiras fotomontagens de Rodchenko a serem usadas no design de livros. As ilustrações fornecem um contraponto animado ao longo poema de amor que Mayakovsky escreveu para sua amante e musa Lily Brik, cujo retrato está na capa

Aleksandr Rodchenko. Pro eto. Ei i mne, 1923.
Aleksandr Rodchenko. Capa revista LEF, Nº 3, 1923.
Aleksandr Rodchenko (com Alexey Gan). Página de propaganda da revista Técnica e Vida, nº 10, 1925.

Vladimir Mayakovsky (Влади́мир Влади́мирович Маяко́вский; 1893 – abril de 1930)

Figura proeminente do movimento construtivista russo, o poeta e artista Mayakovsky esteve entre os signatários do manifesto futurista publicado antes da Revolução de 1917. Mayakovsky produziu um grande e diversificado conjunto de trabalhos durante ao longo de sua carreira: escreveu poemas, escreveu e dirigiu peças, autou em filmes, editou o jornal de esquerda LEF (Frente de esquerda) e criou pôsteres agitprop em apoio ao Partido Comunista durante a Guerra Civil Russa.

Embora o trabalho de Mayakovsky demonstrasse regularmente apoio ideológico e patriótico à ideologia do Partido Comunista e uma forte admiração de Vladimir Lenin, a relação do artista com o estado soviético era mais complexa e tumultuada. Com o passar dos anos, Mayakovsky se vê frequentemente envolvido em confronto com o crescente caráter censurador do Estado soviético. Obras que continham críticas ou sátiras a aspectos do sistema soviético, como o poema “Conversa sobre poesia com o fiscal de rendas” (1926), e as peças O Buldog  (1929) e A casa de banho (1929), foram recebidas com desprezo pelo Estado soviético.

Em “A plenos pulmões” (1927-1928), seu último grande poema, o autor faz uma celebração da essência do comunismo. Nos versos, Maiakóvski escreve que trabalhos como “limpador de latrina e carregador de água”, que a revolução lhe proporcionou, o salvaram da futilidade banal da poesia lírica de antes.

 

Come ananás (1917)

Come ananás, mastigas perdiz.

Teu dia está prestes, burguês.

 

(Tradução de Haroldo de Campos)

 

 

Nossa marcha (1917)

Troa na praça o tumulto!

Altivos píncaros – testas!

Águas de um novo dilúvio

lavando os confins da terra.

 

Touro mouro dos meus dias.

Lenta carreta doas anos.

Deus? Adeus. Uma corrida.

Coração?

Tambos rufando.

 

Que metal será mais santo?

Belas-vespas  nos atingem?

Nosso arsenal é o canto.

Metal? São timbres que tinem.

 

Desdobra o lençol dos dias

cama verde, campo escampo.

Arco-íris arcoirisa

o corcel veloz do tempo.

 

O céu tem tédio de estrelas!

Sem ele, tecemos hinos.

Ursa-maior, anda, ordena

para nós um céu de vivos.

 

Bebe e celebra! Desata

nas veias a primavera!

Coração, bate a combate!

O peito – bronze de guerra.

 

(Tradução de Haroldo de Campos)

 

Conteúdo relacionado ao livro Petrogrado, Xangai.

FONTES: http://www.togdazine.ru

https://www.moma.org/collection

 

 

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