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[Conteúdo] Compreendendo o universo da Smart City

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9 minutos de leitura

por Leonidas G. Authopoulos

Smart Cities apareceram na literatura no final dos anos 90 e várias abordagens foram desenvolvidas desde então. 

Atualmente Smart City não descreve uma cidade com atributos particulares, mas é usado para descrever casos diferentes em espaços urbanos: portais da web que virtualizam cidades ou guias de cidades; bases de conhecimento que atendem às necessidades locais; aglomerações com infraestrutura de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) que atraem a realocação de negócios; infra-estruturas de TIC em toda a metrópole que fornecem serviços eletrônicos aos cidadãos; ambientes onipresentes; e recentemente, infraestrutura de TIC para uso ecológico. Embora o termo smart city tenha surgido em 1998, seu significado e contexto ainda são confusos uma vez que sua definição varia de acordo com o ambiente em que é usado, passando por tecnologias da informação e comunicações metropolitanas de malha (TIC); a vários atributos de TIC em uma cidade; para laboratórios urbanos; ou para a “pegada inteligente” de uma cidade, medida com índices como o nível de educação de seus habitantes, o espírito inovador de suas empresas etc. O termo cidade inteligente consta na literatura desde 1998 a partir de simulações urbanas e bases de conhecimento e ainda está evoluindo para ecocidades.

Todos esses significados distintos abordam a escala e a complexidade do universo da smart city e descrevem abordagens alternativas, escolas de pensamento e pesquisadores que lidam com esse fenômeno. Além disso, as smart cities atraíram a atenção internacional de organizações internacionais (União Européia) e grandes fornecedores do setor de TIC (CISCO (2011), IBM (IBM Institute for Business Value, 2009 e Alcatel [Alcatel-Lucent, 2012]); a eletrônica (Hitachi (2013)); e os setores de construção civil (GALE, POSCO e HGC Group (Alcatel-Lucent, 2012)) estão empenhados em desenvolver os respectivos produtos e usar esse mercado emergente. Para esse fim, este artigo tem como objetivo responder à seguinte pergunta: “Quais teorias, modelos e conceitos fundamentais em pesquisa (publicados entre 1998 e 2014) refletem fenômenos relacionados à smart city?” A resposta a essa questão é crucial, pois estudos interdisciplinares investigam a smart city e veem esse tópico sob diferentes perspectivas.

Para responder à pergunta acima, este artigo foi inspirado na metodologia de Niehaves (2011) afim de realizar uma revisão holística da literatura e analisar diferentes fontes que investigam smart city e em que contexto usam esta noção. Esta análise tenta identificar autores, escolas, abordagens, estudos de caso; classifica projetos de pesquisa e produtos comerciais; e gera uma taxonomia que pode esclarecer esse complexo domínio.

O número de periódicos de pesquisa localizados (32) e os seus diferentes contextos – construção, energia, ciências sociais, transporte, urbanismo, TIC etc. – que usam o termo smart cities ilustram a atenção dada pela comunidade científica a esse domínio. Confirma-se que o termo é ambíguo, embora as perspectivas (domínios de aplicação) que os pesquisadores usam para abordar smart city possam ser consideradas comuns.

Os resultados da análise desses artigos ilustram que, apesar de identificar 24 artigos excepcionais, claramente orientados para as smart cities, seus estudiosos correspondentes abordam o termo com quatro áreas-chave (escolas de pensamento): cidade inteligente; crescimento inteligente; laboratórios vivos; e indústria criativa. Os representantes dessas escolas abordam a smart city a partir de perspectivas correspondentes e utilizam o espaço urbano inteligente com meios que abordam problemas específicos (por exemplo, a indústria criativa considera a capacidade de inovação da cidade).

Além disso, uma estrutura conceitual para abordar uma smart city parece estar estruturada e relacionada aos domínios de aplicação seguintes:

– Recurso (uso e gerenciamento): trata de recursos naturais, energia, monitoramento e gerenciamento de água;

– Transporte: refere-se à utilização das TIC para gerenciamento de transporte, bem como produtos de transporte inteligentes e mobilidade em geral;

– Infraestrutura urbana: refere-se à construção, aglomeração e gerenciamento de expansão com as TIC;

– Viver: abrange educação, saúde, segurança e qualidade de vida no espaço urbano;

– Governo: menciona a prestação pública de serviços eletrônicos; democracia eletrônica e participação; responsabilidade e transparência; e eficiência da administração dentro da cidade;

– Economia: abrange áreas que refletem o produto interno na cidade; espírito inovador; emprego; e comércio eletrônico;

– Coerência: lida com questões sociais que abordam o fosso digital; Relações sociais; e conectividade TIC.

A smart city é um fenômeno “em expansão” e ainda é um termo ambíguo na literatura. Muitas ciências diferentes analisam o universo da smart city e isso pode ser encontrado tanto na academia (nas revistas, escolas e acadêmicos envolvidos) quanto na indústria. Quase todas as ciências podem ser encontradas no domínio das cidades inteligentes, que abordam esse fenômeno sob diferentes perspectivas. Estudiosos e escolas em todo o mundo estão sendo ou foram investigados esse fenômeno e é fornecida uma “imagem” indicativa. Por outro lado, três indústrias alternativas parecem se encontrar nesse domínio e criar um mercado correspondente emergente: as TIC; a construção; e os eletrônicos.

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FONTE: Leonidas G. Anthopoulos, “Understanding the smart city domain: A literature review”, in: Manuel P. Rodríguez Bolívar (org.). Transforming City Governments for Successful Smart Cities. Nova York: Springer International Publishing, 2015, pp. 9-21.

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