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[Conteúdo] As dependências do extrativismo

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3 minutos de leitura

Por Eduardo Gudynas (CLAES – Centro Latino Americano de Ecologia Social)

Montevidéu, Uruguai

Extrativismo pela direita e pela esquerda

O extrativismo é levado adiante na América Latina por meio de duas estratégias principais:

Extrativismo convencional

É a situação clássica que prevaleceu na América Latina, especialmente desde as reformas neoliberais que se difundiram na década de 1980. Atualmente, este tipo de estratégia prevalece, por exemplo, na Colômbia. E por ela se entende que o extrativismo é um motor importante do crescimento econômico, em que o Estado desempenha um papel secundário, restringindo-se a proteger os investimentos, as empresas e as correntes exportadoras. Este extrativismo é parte de uma visão que privilegia o mercado, e seria esse crescimento econômico que desembocaria em novos postos de trabalho ou melhores salários.

Novo extrativismo progressista

Os governos da nova esquerda ou progressistas sul-americanos não somente mantiveram o extrativismo, mas também o aprofundaram. Porém. Existem diferenças substanciais em relação às estratégias do extrativismo convencional.

O Estado se torna mais presente, em alguns casos com empresas próprias, em outros estabelecendo altas taxas de impostos e royalties para recolher mais dinheiro. Esta é a situação, por exemplo, na Argentina, Brasil, Bolívia, Equador e Uruguai.

Entre os principais instrumentos do extrativismo progressista estão:

. Empresas com participação estatal;

. Nacionais, como a petroleira da Venezuela PDVSA ou YPFB da Bolívia

. Mistas, pelas quais o Estado controla parte da propriedade, por exemplo, por ações, como é o caso da Petrobras ou YPF da Argentina;

. Privadas, mas sob controle estatal ou sindical, em que o Estado financia os consórcios que investem nessas companhias, ou atuam desde os fundos de pensão de grandes sindicatos. Este é o caso da mineradora Vale;

. Maiores royalties e impostos. Esta é a estratégia que seguiu a Bolívia, Equador e Venezuela, em que passaram a controlar a extração de hidrocarbonetos, e aplicam tributos muitos mais altos que no passado.

Finalmente, o novo extrativismo progressista possui a particularidade de defender esses empreendimentos sustentando que são necessários para financiar os programas sociais. Em países como Equador ou Bolívia, os governos afirmam que a mineração ou o petróleo são indispensáveis para manter ajudas mensais aos setores mais pobres. Muito similares ao Bolsa Família do Brasil. Desta amaneira, esses governos consideram que o extrativismo é necessário para a justiça social, e ao mesmo tempo, entende que esta se expressa especialmente por uma redistribuição econômica.

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FONTE: Transições Pós-Extrativistas

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