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Desvendando o materialismo-gótico de Mark Fisher

Por Ubu editoria

O que é o materialismo-gótico de Mark Fisher?

No livro Constructos flatline, o filósofo cultural Mark Fisher propõe uma abordagem teórica fascinante que desafia nossa compreensão sobre vida, morte, máquinas e humanidade: o materialismo gótico.

O texto “Princípios e definições do materialismo gótico”, de Rodrigo Zagonel Mickus e João Victor Silva Borge, mostra como Fisher utiliza a cibernética e a literatura de ficção científica (especialmente o cyberpunk de William Gibson e o terror) para construir sua tese.

Fisher abandona as ideias clássicas de sobrenatural no Gótico para focar no que ele chama de Terminal gótico (Flatline Gothic). Trata-se de uma zona de imanência radical, um plano onde as fronteiras entre o vivo e o morto, o animado e o inanimado, o natural e o artificial, deixam de existir.

Os dois princípios fundamentais

Para compreender essa teoria filosófica e estética, o texto detalha dois princípios essenciais propostos por Fisher:

  • Princípio 1) gótico designa um terminal (flatline) inspirado nas leituras de eletroencefalogramas (a linha reta da morte cerebral) e no romance Neuromancer, de William Gibson, o “terminal” representa a dissolução da unidade orgânica do sujeito. No mundo contemporâneo e tecnológico, os corpos se tornam terminais cibernéticos, mesclando sistema técnico, componente humano e inteligência inorgânica em um “realismo cibernético”.

  • Princípio 2) não há sujeitos, apenas agências (subject-matter): fundamentado no conceito de “máquinas abstratas” de Deleuze e Guattari, Fisher argumenta que a agência no mundo contemporâneo não pertence a sujeitos humanos e orgânicos dotados de livre-arbítrio. A agência se difunde por todos os corpos (naturais ou artificiais), existindo apenas na relação e na interação de componentes, sem a necessidade de uma “subjetividade” tradicional.

Teoria-ficção como ferramenta crítica

Uma das grandes riquezas do trabalho de Fisher é o uso da teoria-ficção. Ele coloca lado a lado a psicologia clínica, a teoria cibernética, a filosofia francesa e obras literárias de ficção científica (como as de Gibson, Philip K. Dick e Ballard).

Segundo Fisher, essas narrativas literárias capturaram com precisão a nova natureza da realidade artificial no terceiro milênio, servindo como a linguagem perfeita para criticar as operações capitalistas contemporâneas.

Leia o artigo na íntegra aqui.