[Conteúdo] Playlist feminista

Capa do disco Ciranda Sem Fim (2019) de Lia de Itamaracá

Uma pequena reparação histórica: conheça cantoras e compositoras negras brasileiras nascidas antes dos anos 1950. 

                                       

TIA CIATA (1854-1924)

Hilária Batista de Almeida foi cozinheira, mãe de santo e considerada uma das pessoas mais influentes para o surgimento do samba carioca. Responsável por levar o samba de roda da Bahia para o Rio, fazia reuniões em sua casa que reuniam compositores e figuras da noite carioca, como Hilário Jovino Ferreira, Donga, Sinhô e João da Baiana.

Escute “Pelo telefone” de Donga interpretado por sua companheira Vó Maria e Beth Carvalho.

                       

CLEMENTINA DE JESUS (1902-1987)

Filha de violeiro e capoeirista, desde criança ouvia os cantos de trabalho, jongos, benditos e partidos-altos cantados pela mãe. Aos 12 anos foi pastorinha de bloco carnavalesco, e aos poucos começou a frequentar as rodas de samba no bairro Oswaldo Cruz. Durante 20 anos trabalhou como empregada doméstica, em 1964 Hermínio Belo de Carvalho a convidou para fazer um concerto de samba. Seu lançamento como cantora aconteceu quando completou 63 anos, ao participar do espetáculo Rosa de ouro. 

Escute “Fui pedir às almas santas” composição de Clementina, gravada em seu segundo LP Clementina de Jesus – marinheiro só (Odeon, 1973).

 

DONA IVONE LARA (1922-2018)

Filha de uma cantora de rancho, começou a compor com 12 anos. Em 1945, foi morar em Madureira e começou a frequentar a extinta escola de samba Prazer da Serrinha. Nessa época compôs muitos sambas e partidos-altos , que eram mostrados para outros sambistas por um primo que os apresentava como se fossem seus, pois o preconceito vigente não favorecia a aceitação de uma mulher sambista. No início dos anos 70, após a morte de Silas de Oliveira, passou a compor com Délcio Carvalho, tornando-se famosa no mundo do samba. A partir daí, passou a se apresentar em programas como o do Chacrinha, na TV Globo, e o de Adelzon Alves, na Rádio Globo. Atuou em discos coletivos com vários cantores e intérpretes e passou, também, muito tempo nas rodas de samba do Teatro Opinião. Gravou mais de 25 discos.

Sonho meu (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho) com Dona Ivone e Clementina de Jesus

 

LIA DE ITAMARACÁ (1944-)

Filha de um agricultor e de uma empregada doméstica, nasceu e se criou em Recife, ao lado de seus 13 irmãos. Desde a década de 1980, trabalha como cozinheira de escola estadual na Ilha de Itamaracá. Começou a cantar com 12 anos de idade. Com 19, realizou suas primeiras apresentações, na ilha, em Recife (PE). Em 1977, gravou o primeiro disco, “Rainha da ciranda”. Na ocasião, saiu em uma matéria do programa “Fantástico”, da TV Globo, que seria visto por Antônio, que acabaria-se tornando seu marido e que a acompanha nos shows, fazendo parte da banda.  Após o lançamento de seu primeiro disco, seu nome caiu no esquecimento e ficou mais de 20 anos sem gravar. Mesmo assim continuou a compor e a se apresentar. Gravou 4 discos

Escute “Eu sou Lia”.

FONTES: Enciclopédia da música brasileira – erudita, folclórica, popular (Vol. I & II). São Paulo: Art Editora Ltda, 1977.

Dicionário Cravo Albin da música popular brasileira.

Conteúdo relacionado à Um feminismo decolonial.

Login de Usuários
   


Postagens recentes


Veja outras postagens sobre este livro:

[display_search_form]

Deixe uma resposta