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Glossário dos conceitos de Sobcomuns
Por ubu
Em Sobcomuns, Fred Moten e Stefano Harney mobilizam uma série de conceitos que, como defendem os autores, podem ser usados tal como as ferramentas de uma oficina ou mesmo como brinquedos.
Trata-se de um livro de intervenção, um manifesto, portanto a compreensão de alguns desses conceitos pode ser pouco apreensível. Os autores afirmam que eles estão em constante desenvolvimento, que os sentidos não são fixos, e encorajam a apropriação e estudo de cada um de forma a criar novos sentidos e funções.
Separamos alguns trechos nos quais podemos perceber os sentidos de cada um.
Dívida
“Harney e Moten pensam a dívida de forma ampla, elaborando a noção de dívida impagável em oposição à ideia de reparação histórica e diante da inadimplência que em 2008 fez explodir a crise do subprime e a dívida trilhonária dos estudantes universitários nos Estados Unidos.” (Trecho da nota dos tradutores)
Planejamento
“Esse experimento contínuo com o informal, realizado pelos meios da reprodução social e sobre eles, enquanto devir das formas de vida, é o que queremos dizer com planejamento. Planejar nos sobcomuns não é uma atividade, não é pescar ou dançar ou ensinar ou amar, mas é a experimentação incessante com a presença futurial das formas de vida que possibilitam essas atividades.”
Diretiva
“Enquanto resistência de cima para baixo, as diretivas são um novo fenômeno de classe, porque o ato de fazer diretivas para os outros, de declarar que os outros são incorretos, é, ao
mesmo tempo, uma audição para uma economia pós-fordista que os representantes acreditam que recompensar quem aceita a mudança, mas que, na verdade, prende essas pessoas na contingência, na flexibilidade e naquela precariedade administrada que se imagina imune ao que Judith Butler chamaria de nossa precariedade sobcomum.”
Logística
“A logística moderna foi fundada com o primeiro grande movimento de commodities, aquelas que podiam falar. Foi fundada no comércio de escravos do Atlântico e contra os escravos do Atlântico.”
Porão
“A negridade é o lugar onde o absoluto nada e o mundo das coisas convergem. A negridade é a fantasia na apreensão do porão do navio [in the hold] e o acesso de Wilderson a ela está no fato de que ele não tem nada e, portanto, é, ao mesmo tempo, mais e menos que um só. Ele é o embarcado. Nós somos os embarcados, se escolhermos sermos embarcados, se escolhermos pagar um preço insuportável, que é inseparável de um benefício incalculável.”
Hapticalidade
“Ter sido embarcado é ter sido deslocado por outros, com outros. É sentir-se em casa com o desabrigo, à vontade com o que é fugitivo, em paz com o que é perseguido, em harmonia com aqueles que consentem em não ser um só. […] Hapticalidade, a capacidade de sentir através dos outros, dos outros de sentirem através de você, de você senti-los sentindo você, esse sentimento dos embarcados não é regulado, ao menos não com sucesso, por um Estado, uma religião, um povo, um império, um pedaço de terra, um totem.”
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