Por Judith Butler
Os advogados de defesa da Polícia no caso de Rodney King argumentaram que os policiais estavam em perigo e Rodney King era a fonte desse perigo. O argumento se baseou em muitas fontes, comentários feitos por ele, ações que lhe foram ordenadas e desobedecidas, além da gravação amplamente divulgada e televisionada antes e durante o julgamento.
Durante o julgamento, o vídeo foi exibido enquanto a defesa descrevia o que estava sendo mostrado, o que nos leva a presumir que a convergência entre as palavras e as imagens produziram a “evidência” para os jurados do caso. O vídeo mostra um homem sendo brutalmente espancado, repetidamente, sem resistência aparente; logo o questionamento feito é: como poderia esse vídeo ser usado enquanto evidência de que aquele corpo espancado era, em si, a fonte do perigo, a ameaça de violência, e, para além disso, que o corpo espancado de Rodney King carregava a intenção de ferir, e ferir precisamente os policiais que empunhavam o cassetete contra ele ou o cercavam?
Na corte em Simi Valley, o que muitos considerariam prova incontestável contra a polícia foi apresentado para estabelecer a vulnerabilidade policial, portanto, como base para a alegação de que Rodney King colocava os policiais em risco. Mais tarde, uma jurada relatou que ela acreditou que Rodney King estava em “total controle” da situação. Como essa proeza foi alcançada?
Essa interpretação não foi consequência da ignorância sobre o vídeo, mas sim da reprodução do vídeo dentro de um campo repleto de racismo. Se o racismo permeia a percepção branca estruturando o que pode ou não pode parecer dentro do horizonte da percepção branca, logo, em que medida não houve uma pré-interpretação da “evidência visual”? E como, então, essa tal “evidência” teve que ser interpretada – e interpretada publicamente – mediante essa predisposição racista que preparou e alcançou essa interpretação invertida do que “foi visto”?
Logo acima, sem hesitação, eu escrevi “o vídeo mostra um homem sendo brutalmente espancado.” Porém, ainda assim, o júri de Simi Valley alegou enxergar um corpo ameaçando a polícia e interpretou os golpes como ações razoáveis de legítima defesa dos agentes policiais.
A partir dessas duas interpretações surge, então, uma disputa dentro do domínio visual, uma crise da certeza do que é visto. Sendo uma delas produzida pela saturação e estruturação desse domínio de projeções invertidas da paranoia branca.
A representação visual do corpo do homem negro sendo espancado na rua por policiais e seus cassetetes foi adotada pelo enquadramento interpretativo racista para construir King como agente da violência cuja ação é fantasmagoricamente insinuada ao longo das narrativas precedentes e antecedentes aos quadros mostrados. Assistindo a King, o branco paranoico forma uma sequência narrativa inteligível que consolida o estereotipo racista do homem negro: “Ele tinha ameaçado eles, e agora ele está sendo justificadamente contido.”, “Se eles cessarem de bater nele, ele vai liberar sua violência, e agora ele está sendo justificadamente contido.” King manter suas palmas viradas para seu corpo acima da própria cabeça não é interpretado como autoproteção, mas como momentos iniciais de ameaça física.
Como explicamos essa inversão dos gestos e intenções enquanto uma esquematização racial do domínio visual? Isso se trata de uma transvaloração específica de uma ação apropriada para um paradigma racial? E será que a possibilidade de tamanha inversão ao serem questionados sobre o que é “visto” não é sempre, em parte, uma questão do que certo paradigma racista produz como o que está visível? Para que os jurados cheguem a ver no corpo de Rodney King um perigo para a lei, o que é “visto” requer ser lido de maneira que isso seja selecionado, cultivado e controlado – de fato, policiado – durante o julgamento.
Isso não se trata de uma mera observação, um ato de percepção direta, mas de uma produção racial do que é evidenciado, dos mecanismos de condicionamento do que deve ser visto. De fato, o julgamento vem a ser interpretado não meramente como uma instrução de uma forma racista de enxergar, mas como uma elaboração de negritude recorrente e ritualizada (um outro caso do que Ruth Gilmore, ao descrever o vídeo do espancamento, chama de “construção nacional”). Essa observação é uma leitura, ou seja, uma construção contestável, contudo se considera uma observação. Uma leitura que para essa comunidade branca, assim como para tantos outros, se trata de uma observação.
Se o que está sendo apresentado aqui perante o que o júri viu é uma interpretação diferente, uma ordenação diversa do que é mostrado, isso também pode ser uma construção contestável – como nós pudemos observar no triunfo temporário da construção de King como o perigoso dos advogados de defesa. Para declarar que a vitimização de King é evidentemente verdadeira deve-se supor que quem está apresentando o caso para um conjunto de sujeitos que sabem como ver; pensar que o vídeo “fala por si só” é, para muitos de nós, obviamente verdade. Porém, se o domínio visual é um terreno racialmente disputado, então será politicamente crucial interpretar tais vídeos agressivamente, reiterar e publicar tais leituras somente para fomentar uma hegemonia antirracista sobre o domínio visual. Pode parecer a princípio que perante o fracasso abominável de constatar a violência policial, se faz necessário restaurar o visto como base segura de evidência. Entretanto, o que o julgamento e suas terríveis conclusões nos ensina é que não podemos simplesmente confiar no que está a mostra, a evidência visual, ainda se faz e sempre será necessário interpretar, já existe uma leitura, e afim de estabelecer a injúria com base na evidência visual, uma leitura agressiva é necessária.
Não é, portanto, uma questão de negociar o que é “visto”, por um lado, e uma “leitura” imposta sobre a evidência visual, do outro. De certo modo, o problema é ainda pior ao ponto que existe uma estruturação e inclinação racista ao que é mostrado, isso irá delimitar o que se qualifica enquanto evidência visual, ao ponto que em alguns casos se torna impossível se estabelecer a “verdade” a respeito da violência racista recorrendo a evidência visual. Quando o visual é completamente estruturado pelo racismo, a “evidência visual” referida sempre e apenas irá refutar as conclusões nele baseadas. Por isso, é possível que nenhuma pessoa negra, dentro desse paradigma racista, possa contar com o visível como garantia de evidência. Considerando que foi possível traçar uma linha dedutiva a partir do corpo imóvel e espancado do homem negro na rua que levou a conclusão de que aquele corpo estava em “pleno controle”, cheio de “intenções perigosas”. O domínio visual não é neutro em relação a questão racial, mas em si, uma criação racial, um paradigma hegemônico e contundente.
No mundo branco, o homem de cor encontra dificuldades no desenvolvimento da sua estrutura corporal. Consciência do próprio corpo é uma ação inteiramente negada. É a consciência de terceiros. O corpo é cercado de uma atmosfera de certa dúvida. Eu sei que se eu quero fumar, eu tenho que estender meu braço direito e pegar o maço de cigarros sob a outra ponta da mesa. Os fósforos, por outro lado, estão na escrivaninha a esquerda e eu devo me recostar ligeiramente. Todos esses movimentos são feitos não por hábitos, mas por um conhecimento implícito. Uma constituição lenta de mim mesmo como um corpo no meio de um mundo espacial e temporal – que aparentemente é a estrutura.
Por trás da estrutura corpórea, eu havia esboçado uma (existente) estrutura racial histórica. Os elementos que utilizei me foram proporcionados pelo outro, o homem branco, quem me teceu milhares de detalhes, anedotas, estórias. Eu pensei que o que tinha em mãos era para construir um caráter fisiológico, equilibrar o espaço, localizar impressões, e aqui estou apelando por mais.
“Olha, um Negro!” Foi um estimulo externo que me tocou enquanto eu passava. Dei um pequeno sorriso.
“Olha, um Negro!” Era verdade. Aquilo me divertiu.
“Olha, um Negro!” O cerco se apertou um pouco. Não fiz nenhum segredo do meu divertimento com aquilo.
“Mamãe, olhe para o Negro! Estou assustado! Assustado!”
Assustado! Agora eles estavam começando a ter medo de mim. Eu havia me convencido a gargalhar, mas o riso havia se tornado impossível.
Frantz Fanon nos apresenta uma descrição de como o corpo negro é constituído a partir do medo, e a partir de uma denominação e observação: “Olha, um Negro!” Onde se é apontado um corpo delimitado enquanto perigoso, um indicativo racista que recai sob o próprio corpo apontado. Nesse caso, esse “apontamento” não se trata somente de um indicativo, mas uma antecipação acusatória da estrutura. A qual carrega uma força performativa para constituir esse perigo que amedronta e precisa ser contido.
Em sua teoria, claramente masculinista, Fanon demarca o homem negro como o objeto de estudo e o homem branco como o Outro. Talvez devamos, por um momento, deixar o masculinismo do cenário de lado; já que juntamente com o medo racista do homem branco em relação ao corpo do homem negro há uma clara apreensão a respeito da possibilidade de troca sexual, logo, as constantes alusões a “bunda” de Rodney King pelos oficiais da polícia ao redor, e a circunscrição homofóbica desse local de sodomia como forma de ameaça.
Na recitação de Fanon da interpelação racista, o corpo negro é delimitado enquanto perigoso de antemão a qualquer gesto, qualquer levantar da mão e o leitor branco infantilizado é posicionado na cena como aquele que está indefeso em relação ao corpo negro, definindo a sua necessidade de proteção pela sua mãe, ou até mesmo, a polícia. O medo consiste em que uma distância física seja cruzada e o santuário virgem da branquitude seja ameaçado pela proximidade. A polícia está estruturalmente posicionada para defender a branquitude da violência, onde a violência é eminente do corpo negro. Por conta, da estrutura desse imaginário, a polícia protegendo a branquitude, sua própria violência não conta enquanto violência, porque o corpo do homem negro, de antemão a qualquer vídeo, é onde se situa o perigo, uma ameaça, o esforço da polícia de dominar aquele corpo, mesmo que com vantagem, é justificado independente das circunstancias. Ou melhor, a convicção na justificativa rearranja as circunstancias para caber nas conclusões.
O que me chocou na manhã após o veredito ser emitido onde os relatos reiteraram a fantasmagórica fabricação da “intenção”, a intenção inserida e interpretada do corpo congelado de Rodney King na rua, como intenção de machucar, colocar em perigo. O vídeo foi utilizado para suportar a declaração de que o corpo congelado do homem negro no chão recebendo golpes, era ele mesmo provocando aquelas pancadas, a ponto de provoca-las, era ele mesmo a ameaça iminente de uma pancada e, portanto, ele foi o próprio responsável por aquilo. Aquele corpo, dessa forma, recebeu aqueles golpes como respostas ao que ele estava prestes a cometer, isso estava implícito nos seus gestos básicos, até mesmo nos gestos feitos para se defender da surra que levava. De acordo com o paradigma racista, ele apanhou devido à violência que ele nunca cometeu, mas que está sempre prestes a cometer em virtude da sua negritude.
Aqui podemos ver a decomposição da intenção de violência nas ações da polícia, e a investida em colocar essa mesma intenção naquele que recebe a surra. Como essa decomposição e atribuição de intenção de violência se torna possível? E como isso foi reproduzido na pedagogia racista dos procuradores de defesa? Consequentemente implicando à defesa um vínculo de solidariedade com a polícia, convidando os jurados e juradas a se juntar a essa comunidade de agressores vitimados? O procedimento da procuradoria de defesa foi cultivar uma identificação com a paranoia branca em que a comunidade branca sempre será protegida pela policia contra a ameaça representada pelo corpo de Rodney King, mesmo que apartado de qualquer ação que ele possa ter dito que iria realizar ou estava prestes a realizar. Essa é uma ação que o corpo negro está sempre desempenhando dentro do imaginário racista branco, de antemão ao surgimento de qualquer vídeo. A identificação com a paranoia da polícia selecionada, criada e consolidada naquele júri é uma forma de reconstituir o imaginário racista branco que se dispõe como se tivesse sido o enquadramento não marcado do campo visual, reivindicando a autoridade da percepção direta.
A interpretação do vídeo durante o julgamento teve que trabalhar com os possíveis locais de identificação apresentados: Rodney King, o cerco de policiais, os que ativamente o batiam, os que testemunhavam, o olhar da filmadora, e por consequência, o espectador branco que porventura sinta-se indignado moralmente, mas também quem esteja assistindo a distância, colocados de repente na cena como o repórter infiltrado. De certo modo, o júri poderia ser convencido da inocência da polícia pela mera instrumentalização tática em cada uma dessas identificações, já que de certa forma, eles são as testemunhas brancas, separados da ostensiva do perigo negro por um cerco de policiais; eles são os policiais, executores da Lei, o cercando, batendo nele, mais uma vez. Eles talvez sejam, até mesmo, King, porém embranquecido: a surra que ele leva, seria a surra que eles poderiam levar caso a polícia não os estivessem protegendo dele. Portanto, o perigo físico ao qual King é lançado é transferido para eles; eles se identificam com aquela vulnerabilidade, porém interpretando para si mesmos no local da vulnerabilidade branca, portanto, recriando-o enquanto a ameaça. O perigo que eles acreditam sempre estar correndo em virtude da sua branquitude (o paradigma da branquitude opera apesar da presença de dois jurados não brancos). Isso completa o ciclo da paranoia: a projeção da sua própria agressão; e o seguimento referente a essa projeção enquanto uma ameaça externa.
O tipo de “observação” que a polícia promulgou e o tipo de “observação” que o júri relembrou, são mais uma violência apresentada pelo repudio e projeção daquela surra violenta. Os golpes que Rodney King efetivamente levou são compreendidos como uma resposta justa, inclusive, trata-se de uma defesa dos perigos que “parecem” emanar do seu corpo. Aqui as aparências e as atribuições são indissociáveis Atribuir a violência ao alvo da violência faz parte do mecanismo de recapitulação da violência que faz o júri entrar em cumplicidade com a violência policial.
Os procuradores de defesa dividiram os vídeos em quadros estáticos, congelando a cena, logo seu gesto, a mão levantada, foi retirado do contexto. O vídeo não somente foi violentamente descontextualizado, mas violentamente recontextualizado, foi exibido sem o áudio simultâneo as imagens que estava carregado de ofensas de cunho sexual e racial contra Rodney King. Ao invés da leitura do depoimento junto ao vídeo, a defesa apresentou a cena congelada, a ampliação da sua mão levantada como a hipérbole de ameaça racial. Interpretado repetidamente como um gesto de prenuncia a violência, o primeiro sinal de violência, a violência em si. Essa observação é claramente uma leitura, que relembra o repudio e paranoia que permite e defende a própria brutalidade.
Contra esta leitura, se faz necessário uma contra leitura veemente, o qual os promotores falharam, uma leitura na qual poderia ter sido exposta uma espécie de reiteração – do que Fanon chamou de – “estrutura histórico racial” onde essa observação da negritude acontece. Em outras palavras, é necessário não somente ler o caso de violência, mas toda a estrutura racista que orquestra e interpreta o caso e retira a violência do corpo que a pratica e a atribui ao corpo que a recebe.
Se a mão levantada pode ser considerada uma evidência que comprova que Rodney King estava em total controle de toda a situação, inclusive serve como prova das suas intenções ameaçadoras, então um ciclo é fantasmagoricamente reproduzido pelo meio do qual Rodney King é a origem, a intenção e o alvo da própria violência. Em outras palavras, se é a violência dele que impele na sequencia causal, e é seu corpo que recebe os golpes, então, com efeito, ele mesmo provocou essa surra. Ele é o início e o fim da violência, ele provoca isso pra si mesmo. Mas se a brutalidade a qual dizem que ele incorpora ou a intenção do seu corpo que a estrutura racista ritualisticamente fabrica como incipiente e inevitável, se essa brutalidade vem da polícia branca, então esta brutalidade foi promulgada e deslocada imediatamente e Rodney King se torna apenas um fantasma dessa agressão racista branca. Um fantasma que pertence a essa agressão racista branca como a figura externada da sua própria distorção. Ele se torna, dentro dessa estrutura, nada além de um lugar para a violência racista depositar seu medo e ódio. Desse modo, o ciclo de violência atribuído a Rodney King é o ciclo da própria violência racista que se repudia vigorosamente apenas para brutalizar o espectro que incorpora sua própria intenção. Esse é o fantasma ritualmente fabricado para o lugar do Outro racializado.
Precisamente pelo corpo do homem negro estar no chão é que a surra se intensifica? Por isso que a paranoia branca também, em certo grau, é homofóbica. Então, esta brutalidade não foi desempenhada para uma assexualização, mas sim, como uma punição por uma agressão sexual conjecturada ou desejada? A imagem dos policiais em pé sob Rodney King com os cassetetes pode ser lida como uma degradação sexual que acaba por gerar uma mimica e inversão da cena imaginada de violação sexual que aparenta ser desejada e abominada; a polícia desse modo implementa os “adereços” e “posições” da cena em função da sua negação agressiva.
A reversão e o deslocamento da intenção perigosa mencionada acima continuou sendo reiterada após o veredito: primeiro, pela violência que ocorreu em Los Angeles onde a maioria dos indivíduos assassinados nas ruas foram negros, mortos pela polícia, de modo que se reproduz, intensifica e estende o escopo da violência sofrida por Rodney King. A intensificação da violência policial contra pessoas de cor pode ser interpretada como evidência de que o veredito foi levado como uma sanção do estado em favor da violência racista policial; segundo, nos comentários feitos pelo Sr. Bush no dia posterior ao anuncio do veredito, onde ele condenou a violência publica, salientando primeiro o quanto era lamentável a violência pública contra a propriedade (!) e reservando a responsabilidade para os corpos negros nas ruas, mais uma vez, como se a figura do corpo negro brutalizado houvesse levantando a força contra a polícia. Os grupos envolvidos com violência urbana portanto foram concebidos paradoxalmente como os autores do conjunto de assassinatos que podem ter deixado seus próprios corpos mortos, exonerando, portanto, a polícia e o estado, novamente, desempenhando o papel do fantasmagórico perigo sentido pela comunidade branca de Simi Valley; Em terceiro, no escaneamento da violência nas ruas da mídia, a recusa em noticiar onde e porque começaram a atear fogo, queimar lojas, o que foi, de fato, articulado através daquela violência. A bestialização da multidão, consolidada pelas técnicas de leitura que pareciam “caçar” pessoas de cor e configurar sua violência como sem sentido ou bárbara, portanto, recapitulando a fabricação racista do domínio visual.
Se a leitura do júri sobre o vídeo recriou a cena do crime, reiterar e reocupar o estado permanente já em perigo por estar nas ruas da pessoa branca, e a resposta para essa leitura, agora, transformada em veredito, serve para re-intimar a acusação e para recriar e ampliar o crime. Isso foi alcançando, em parte, por meio da transposição e fabricação da intenção perigosa. Isto dificilmente se trata de uma explanação completa da violência racista, mas constitui, talvez, um momento da sua reprodução. Talvez possa ser uma forma de paranoia branca na qual se é projetada a intenção de ferir que, em si mesma, recria e reproduz em larga escala essa projeção, uma modalidade social especifica de coação recorrente, a qual ainda necessitamos aprender a interpretar enquanto uma “leitura” desempenhada em nome da lei e tem óbvios efeitos colaterais.
Traduzido por Luciana dos Santos Machado.
Versão original de inglês: Endangered/Endangering: Schematic Racism and White Paranoia
FONTE: noosfero.ufba.br
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