[Ubu em curso] Introdução ao pensamento de Peter Sloterdijk – INSCRIÇÕES ABERTAS
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“Cansanção”, mesa que abriu o sábado da 17ª Festa Literária Internacional de Paraty — Flip, teve formato distinto do que se assistiu até este ponto da Festa Literária: a autora convidada Marilene Felinto preparou, especialmente para a ocasião, um texto original, que foi lido ao público. “Escritores como eu sentem que escrever não é algo para ser comemorado, sentem que não há o que dizer além do que já foi escrito.”
Afastada da imprensa há mais de uma década, Felinto foi apresentada pelo mediador Fernando de Barros e Silva como uma escritora que usou do mal-estar da migração de sua família de Recife para São Paulo para elaborar seus temas literários. “O ‘paulistês’ foi a primeira língua estrangeira que eu tive de aprender para evitar a discriminação”, contou Felinto.
Em 1982, aos 25 anos, a autora publicou seu primeiro livro As mulheres de Tijucopapo, que ganha agora reedição na Flip, em edição independente. A obra ganhou o prêmio Jabuti na categoria “autor revelação”. Logo depois, foi convidada a assinar uma coluna no jornal Folha de S. Paulo. A experiência, que durou cerca de dez anos, contribuiu para o aguçamento de sua visão crítica sobre a imprensa. Afirmou ter saído do meio por não aceitar o “estado de coisas como ele é”. “Não aceitei a censura, não aceitei o esquema de manipulação”, disse.
Segundo Felinto, o próprio ato de aceitar o convite para participar da Flip foi difícil para ela. Sentia-se, em suas próprias palavras, estranha ao evento por não frequentar os lugares de destaque da mídia. “Minha presença na Flip, então, é em solidariedade aos escritores anônimos das periferias de pequenas e grandes cidades”, concluiu.
Sobre Euclides da Cunha, Autor Homenageado da 17ª Flip, Felinto ressaltou uma opinião já levantada em outros debates da Festa: o racismo cientificista do autor expresso em trechos de Os sertões. “É verdade que Euclides fez sua mea culpa, mas pra mim pouco importa a redenção dele, levei anos para superar o estrago do racismo tão bem codificado no linguajar culto de seus textos.” Por fim, manifestou-se politicamente lembrando os nomes de Marielle Franco e dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, e foi aplaudida de pé.
Após a leitura do texto por Felinto, Barros e Silva também leu um trecho inédito do prefácio escrito pela autora para a nova edição de As mulheres de Tijucopapo, em que ela relata um episódio de estupro quando, ainda nos anos 1980, tentava publicar seu primeiro livro. O mediador quis saber como Felinto se sentia agora que grande parte do que a escritora diz há anos — e que em algum momento foi tachado como fora de contexto — é tão debatido pelos movimentos feminista e negro. “Eu acho lindo essa questão do feminismo negro. Isso tem que ser dito, apoiado e admirado. Quanto a mim, sempre fui feminista, você tem que ser feminista, não é?”, encerrou Felinto.
Fonte: Site Flip
Foto de capa: Walter Craveiro
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