Nesta obra de grande força poética, Bona propõe uma reflexão sobre as formas de vida e resistência que escapam à lógica ocidental-colonial de dominação, classificação e controle. Tomando a figura do cipó – planta trepadeira, flexível, que cresce de maneira desordenada, sem hierarquias –, o autor desenvolve o conceito de cosmopoética da fuga, inspirada em saberes indígenas, afrodescendentes e da floresta e na dança.
Entre críticas ao imaginário colonial e uma escuta atenta às formas de vida que insistem em permanecer livres, Sabedoria dos cipós convida à reinvenção do olhar: em vez de domar o mundo, é necessário aprender a habitá-lo com sensibilidade, desvio e cumplicidade – como quem segue, com o corpo e com o espírito, os caminhos imprevisíveis do cipó.