Em Terra-mundo: para desfazer o habitar colonial, Malcom Ferdinand investiga as raízes coloniais de um dos maiores desastres ecológicos da atualidade: a contaminação generalizada das Antilhas pelo agrotóxico clordecona. Longe de ser um acidente isolado, o envenenamento deliberado da população – que atinge mais de 90% dos habitantes –, do solo e dos rios da Martinica e de Guadalupe é uma das consequências do “habitar colonial”: um modo violento, racista e patriarcal de se relacionar com a Terra, estabelecido pelas colonizações e escravizações da modernidade capitalista.
Indo além do diagnóstico da destruição e inspirado por pensadores como Frantz Fanon e Édouard Glissant, Ferdinand propõe uma justiça decolonial que conecta as lutas antissenhoriais contemporâneas às lutas antiescravagistas do passado, em um prolongamento transgeracional de uma luta ancestral.