[Conteúdo] A fama do cavalo matemático
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Tradução
Meu nome é Tim Ingold, eu sou professor de antropologia social na Universidade de Aberdeen e o assunto de que quero falar é domesticação. Domesticação se refere às maneiras como determinados animais, e também plantas, foram arrastados para a vida doméstica, para as tarefas caseiras, dos seres humanos. Essas maneiras são tantas e tão variadas que o termo rejeita uma definição fácil e sua aplicação intercultural é comprometida por sua associação a uma narrativa em particular – característica da história do mundo ocidental –, de controle e dominação humana sobre a natureza. Nessa narrativa, as origens da domesticação se relacionam à transição da caça e da coleta para o pastoreio e a agricultura. Entretanto, aos olhos dos caçadores-coletores indígenas, os animais caçados não são nem de longe as bestas selvagens e descontroladas da imaginação ocidental. Na realidade, há a crença de que eles têm rotinas domésticas próprias, vivendo vidas paralelas às dos humanos. Mesmo no Ocidente, a ideia primeira de domesticação, que denotava os laços sociais entre animais e humanos, agora incorpora aqueles quase que como escravos domésticos em casas humanas, por meio da marcação de propriedade – com o uso de ferretes e tags de orelha, por exemplo – e, eventualmente, de práticas de reprodução em cativeiro e seleção artificial cujo objetivo é modificar determinadas características das espécies. Foi essa reprodução selecionada, é claro, que Charles Darwin usou de modelo para formular o conceito de seleção natural não intencional, responsável, de acordo com ele, pela evolução – ou descendência modificada – de todas as espécies. Mas é difícil sustentar uma distinção absoluta entre seleção natural e seleção artificial. Ao longo do tempo, as populações de animais variam ao tornar-se mais ou menos sujeitas à apropriação e ao controle humano; mesmo durante o tempo de vida de um animal, a força de seus laços com os humanos pode se modificar. Assim, não há necessariamente conexão entre as condições da reprodução em cativeiro e o status dos animais enquanto objetos de propriedade ou parceiros sociais dos seres humanos.
Bio
Tim Ingold fez sua pós-graduação em Antropologia Social pela Universidade de Cambridge, em 1976. Ele tem realizado trabalhos de campo entre os saami e os finlandeses, na Lapónia, e escreveu sobre ambiente, tecnologia e organização social no Norte circumpolar, sobre animais na sociedade humana, e sobre ecologia humana e teoria evolutiva. O seu trabalho mais recente explora a percepção ambiental e a prática qualificada. Os interesses atuais de Ingold residem na interface entre antropologia, arqueologia, arte e arquitetura. Os seus livros incluem Hunters, pastoralists and ranchers: rendeer economies and their transformations (1980), The perception of the environment: essays on livelihood, dwelling and skill (2000), Being alive: Essays on Movement, Knowledge and Description (2011), e Anthropology and/as education (2017).
Fonte: Animals & Society
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